O processo de formação e a educação popular sempre foram partes essenciais do trabalho do Grupo Xingó. Compartilhar nossos procedimentos e ferramentas é uma forma de socializar saberes — e revisitar esses materiais é também re-aprender: um gesto fundamental para o nosso processo estético e para o exercício coletivo da criação. É nesse encontro que o grupo se observa de outras maneiras, reconhece e amplia as habilidades de cada integrante, fortalecendo essa espécie de “universidade popular” viva e orgânica. Todo grupo é, em si, uma escola — e nossa casa-sede, o TEKOHA, é um espaço de aprendizado contínuo, tanto em sua estrutura quanto em seu modo de vida.
Oferecemos treinamentos e imersões no TEKOHA ou em espaços que nos convocam. Há mais de vinte anos aprofundando as linguagens da dança, do teatro e do brinquedo popular, desenvolvemos diferentes formatos de formação baseados nas pedagogingas do Grupo, que reúnem ferramentas do contato improvisação, da palhaçaria, do teatro de rua, do aikido, dos brinquedos populares, das sonoridades diaspóricas, da história oral e da dança-teatro.
EM CONTATO Princípios de contato improvisação e educação somática aplicados a atuadores e intérpretes. Focado nas corpas, na manutenção e ampliação da percepção para atuação: dança e/ou teatro.
ATO-AÇÃO DE RUA Ferramentas e pedagogias para atuadores de rua. Focado na comicidade, na brincadeira, no corpo e na cena: dança, teatro e/ou brinquedo.
MAMULENGO Princípios básicos de escultura, roteiro, voz e manipulação do teatro de bonecos popular: mamulengo, joão redondo, babau, casimiro coco e calunga.
Curso: ATUAÇÃO de RUA com Grupo Xingó
O processo de formação e de educação popular sempre esteve presente no trabalho do grupo Xingó. O compartilhar de nossos procedimentos e ferramentas é uma forma de sociabilizar conhecimentos preciosos que se mantém às vezes apenas em espaços pagos e/ou regiões centrais da cidade. Pra nós, revisitar os materiais, em contato com aprendizes, é também re-aprender, etapa essencial ao processo estético e como atuadoras. Um momento em que o grupo se observa de outras maneiras, potencializando as habilidades de cada integrante e somando forças na criação dessa universidade popular e nada institucionalizada. Todo grupo é uma escola e nossa casa-sede é um espaço de aprendizado em sua própria estrutura e modo de vida, mas aqui nesse ‘sítio’, organizamos três principais treinamentos que costumamos realizar por aí, estrada fora.
Sobre as ferramentas do contato improvisação: A trajetória desse pensamento/treinamento está intimamente relacionada aos processos de consciência corporal, estudos técnicos e da linguagem da improvisação. Através dessa visão e experiência do mundo é que podemos desenvolver um corpo competente, aberto, esponjoso e livre. Em contato com o corpo, com o corpo do outro, com o chão, com o espaço… Desenvolver um corpo leve, ágil e consciente, capaz de dançar/atuar o fluxo de uma improvisação/jogo/composição. A partir da prática/técnica da improvisação e da linguagem sensorial do toque, peso, deslize, pressão, apoio, através de rolamentos do Aikido, do Contato Improvisação e da transferência/troca de peso que leva aos carregamentos. É uma possibilidade, pública, de todos poderem se expressar e desenvolver sua autonomia em andar, pular, rolar, deslizar, cair e significativamente se reinventar gerando e contaminando outras formas de estar e ocupar um espaço. É uma prática que além de potencializar as atuações estéticas vai na contramão de um sistema que oprime, reprime, condiciona, automatiza, massifica e aliena os sujeitos de suas capacidades de presença, ação e interação. O Sistema estudado e focado é o Esqueleto e a Respiração/energia. A partir da estrutura óssea pesquisamos direções das fibras do músculo, relaxamento e equalização de energia no tônus da musculatura, alongando a nossa propriocepção. Desenvolver um corpo presente disponível e pronto para responder ao aqui-agora da Cena/ Composição e uma noção refinada/aguçada de Tempo/Espaço. Treinando repertório/vocabulário de movimentos à partir do osso, para se mover pelo peso e articulação, relaxando o tônus muscular.
Ferramentas pesquisadas: esqueleto, músculos, respiração/energia, orgão/ fluídos/ líquidos do corpo e percepção do tempo/espaço.
Dentro do Grupo Xingó, misturam-se duas escolas de formação em palhaçaria. A escola europeia do clown, a partir de mais de vinte anos de trabalho da integrante Erika Moura com a Mestra Cristiane Paoli Quito e sua pedagogia com a comicidade, e a escola da palhaçaria clássica dos palhaços tradicionais mais focada no universo pilhérico brasileiro, a partir dos estudos e práticas da integrante Natália Siufi com o mestre Mário Bolognesi e sua vasta pesquisa nos circos brasileiros. Com a trajetória de mais de quinze anos de teatro de rua, a partir da criação do Grupo teatral Parlendas e da articulação na Rede Brasileira de Teatro de Rua, Natália Siufi foi aos poucos, em parceria com o Grupo, formando um material de treinamento para uma atuação de rua e pautada na comicidade.
Material Base Utilizado: Um fichário de 50 jogos cômicos e um pequeno estudo acerca da palhaçaria, desenvolvida por Natália Siufi e Juliana Arapiraca, em 2009. Jogos e exercícios desenvolvidos a partir da pesquisa de Erika Moura com Cristiane Paoli Quito.
Sobre as ferramentas da oficina: Fazer com que as(os) aprendizes tenham maior consciência corporal, se relacionem melhor com as pessoas, aprendam técnicas da linguagem cômica popular e conheçam um pouco mais da cultura tradicional circense. O contato com a linguagem cômica traz uma maior percepção do espaço, uma necessidade de rapidez de raciocínio, de condicionamento físico, de atenção e concentração, vários elementos que podem ser agregados ao cotidiano para uma melhor qualidade de vida, independente da profissão ou da atividade da(o) aprendiz. Os objetivos com a turma são: o entendimento dos princípios básicos da linguagem cômica; o melhor condicionamento físico e consciência corporal; o despertar de outras formas de construção da cena que não as hegemônicas dadas no drama; a criação de pequenos esquetes cômicos em duplas ou trios no final dos treinamentos;
Desenvolvimento do Conteúdo: